27 maio 2010
26 maio 2010
22 maio 2010
14 maio 2010
16 abril 2010
Se não fosse em língua espanhola, poderia ser no Brasil...
Trata-se, provavelmente, de uma peça de teatro, de televisão, mas é muito parecido com a realidade.
05 março 2010
Deus olha por todos
Deus ajuda os pobres, enquanto o estado dorme.
Dorme, sem querer. Mas, tem sono leve e, quando descobre que o pobre está levando alguma vantagem, lança uma portaria, um decreto, uma lei, cria uma taxação, para tornar nula a vantagem conseguida.
E parece que o poder público agora descobriu que Deus forneceu água cristalina aos mais pobres, na calada da noite.
E, descoberto, já acionou a Feema, a secretária de meio-ambiente, possivelmente e muito mais rapidamente a da fazenda, lançará alguma cerca de arame farpado em volta do benefício.
O estado acha imoral toda a vantagem do cidadão. Imoralidades permitidas, somente a que ele faz; e, neste estado de coisas que vemos diariamente nos três poderes da república, quanto mais, mais ele fica querendo mais, legitimado nesta ânsia´apenas pela sua própria existência.
Ao estado basta existir. Tem leis próprias e maleáveis a sua necessidade.
Fiquei muito feliz de ler sobre a água do Alemão: foi a hora que Deus deu uma rasteira nos coletores de impostos.
Dorme, sem querer. Mas, tem sono leve e, quando descobre que o pobre está levando alguma vantagem, lança uma portaria, um decreto, uma lei, cria uma taxação, para tornar nula a vantagem conseguida.
E parece que o poder público agora descobriu que Deus forneceu água cristalina aos mais pobres, na calada da noite.
E, descoberto, já acionou a Feema, a secretária de meio-ambiente, possivelmente e muito mais rapidamente a da fazenda, lançará alguma cerca de arame farpado em volta do benefício.
O estado acha imoral toda a vantagem do cidadão. Imoralidades permitidas, somente a que ele faz; e, neste estado de coisas que vemos diariamente nos três poderes da república, quanto mais, mais ele fica querendo mais, legitimado nesta ânsia´apenas pela sua própria existência.
Ao estado basta existir. Tem leis próprias e maleáveis a sua necessidade.
Fiquei muito feliz de ler sobre a água do Alemão: foi a hora que Deus deu uma rasteira nos coletores de impostos.
19 fevereiro 2010
O avesso do avesso do avesso...
A Polícia Federal, segundo li, pediu a sala em que José Roberto Arruda estava preso. Transferiu-o para uma menor.
O advogado do ainda-governador saiu em sua defesa, queixando-se da decadente condição habitacional de seu cliente, que seu cargo merecia coisa melhor.
Que nós já não estranhamos mais as declarações de quem dá entrevista neste país, das pessoas que compõem o estado, isto é verdade.
A frase do advogado é emblemática, quando troca o valor moral das coisas e, frontalmente contra a razão, inverte tudo.
E o estranhamento adicional é que vem da boca de um profissional que, por dever, defende o Direito.
Possivelmente, não faz por mal, mas por descuido, de tão acostumado às práticas consideradas - lá por eles mesmos - normais e lícitas. São os costumes, o 'ethos' de uma pequena parte dos que têm algum poder.
Candidamente, cita o cargo do preso como um símbolo de majestade em si mesmo, como se a pessoa que o usa estivesse ungida com os santos óleos da divinização, sob a qual não há pecados que a manchem.
Sendo uma autoridade, com este título, não há como enxergar-se um malfeitor, mesmo que o titulado venha a posicionar-se no extremo oposto da moralidade e da lei.
A gente já os conhece, mas tem ainda a esperança de estar sob engano.
O advogado do ainda-governador saiu em sua defesa, queixando-se da decadente condição habitacional de seu cliente, que seu cargo merecia coisa melhor.
Que nós já não estranhamos mais as declarações de quem dá entrevista neste país, das pessoas que compõem o estado, isto é verdade.
A frase do advogado é emblemática, quando troca o valor moral das coisas e, frontalmente contra a razão, inverte tudo.
E o estranhamento adicional é que vem da boca de um profissional que, por dever, defende o Direito.
Possivelmente, não faz por mal, mas por descuido, de tão acostumado às práticas consideradas - lá por eles mesmos - normais e lícitas. São os costumes, o 'ethos' de uma pequena parte dos que têm algum poder.
Candidamente, cita o cargo do preso como um símbolo de majestade em si mesmo, como se a pessoa que o usa estivesse ungida com os santos óleos da divinização, sob a qual não há pecados que a manchem.
Sendo uma autoridade, com este título, não há como enxergar-se um malfeitor, mesmo que o titulado venha a posicionar-se no extremo oposto da moralidade e da lei.
A gente já os conhece, mas tem ainda a esperança de estar sob engano.
07 fevereiro 2010
Santo de casa
Muitas pessoas que têm o dom artístico, ou que desenvolvam qualquer atividade que teria um potencial de destaque, queixam-se de que os estranhos ao sangue prestam atenção - com opinião a favor ou contra, mas prestam - em suas obras, mas que seus próprios familiares não.
É bem verdade, tanto que há o ditado do título acima.
Mas, podemos ir mais longe e encontrar o comportamento do próprio 'artista' agindo da mesma forma: as opiniões dos familiares não são sequer notadas, por serem justamente da família.
Queixa-se da indiferença de irmãos, primos, tios e sobrinhos, mas não nota seus elogios, quando deles recebe alguma referência sobre suas obras; não dá valor a ela.
Vá se entender o ser humano.
28 janeiro 2010
Paraíso moral
No blog do Lauro Jardim, citado pelo blog do Ricardo Noblat, diz que a Petrobrás está fazendo uma licitação.
Diz o blog:
"Está destinado a dar uma tremenda confusão o resultado da mais esperada licitação do ano no setor de publicidade - a conta da Petrobras, no valor de 250 milhões de reais por ano.
Hoje, às 14 horas, na sede da estatal no Rio de Janeiro, foram abertos os envelopes para que as três escolhidas fossem conhecidas. Na disputa, dezoito ansiosas agências. As mais pontuadas foram a curitibana Heads (60,9 pontos de um máximo de 70 pontos), a Dentsu (55,7 pontos) e a carioca Quê (54,6 pontos).
Só que mais de duas horas antes, o site da revista Propaganda & Marketing, divulgou o resultado num furo de reportagem. E aí começa o imbróglio.
Para evitar possíveis vazamentos ou suspeitas, a Petrobras fizera o que é praxe em concorrências públicas: as propostas não são identificadas.
Ou seja, em tese, a comissão julgadora não saberia quem é quem e só na hora da abertura dos envelopes apareceriam os nomes das agências vencedoras. Não foi o que aconteceu.
O mercado publicitário está em polvorosa. Todos os derrotados prometem chiar alto com a Petrobras e possivelmente na Justiça.
Entre os vencedores, duas agências (Quê e Heads) já detêm a conta da Petrobras. A Dentsu é a novata (de origem japonesa, desfez sua parceria com a DPZ há dois meses), tirando o espaço que hoje é da F/Nazca. Isso se o resultado for mantido.
"
veja aqui
É inacreditável mais esta (se é que ainda achamos alguma coisa inacreditável neste sofrido país haitiano de instituições).
Em qualquer país civilizado, um vazamento deste pararia completamente o processo. Mas, aqui, não. Continua-se a fazer a abertura dos envelopes, esperando a semana passar.
É assim e toda a parte. O Sarney mentiu? Fica no cargo até que novos escândalos venham a mudar o foco; Arruda foi visto pegando propina? Fica no governo, esperando as manobras 'legais'. Coisa assim.
Ninguém vai preso por executar crimes à vista de todos.
O mundo tem paraísos fiscais. O Brasil tem isto também para alguns e se desponta como um paraíso moral.
Diz o blog:
"Está destinado a dar uma tremenda confusão o resultado da mais esperada licitação do ano no setor de publicidade - a conta da Petrobras, no valor de 250 milhões de reais por ano.
Hoje, às 14 horas, na sede da estatal no Rio de Janeiro, foram abertos os envelopes para que as três escolhidas fossem conhecidas. Na disputa, dezoito ansiosas agências. As mais pontuadas foram a curitibana Heads (60,9 pontos de um máximo de 70 pontos), a Dentsu (55,7 pontos) e a carioca Quê (54,6 pontos).
Só que mais de duas horas antes, o site da revista Propaganda & Marketing, divulgou o resultado num furo de reportagem. E aí começa o imbróglio.
Para evitar possíveis vazamentos ou suspeitas, a Petrobras fizera o que é praxe em concorrências públicas: as propostas não são identificadas.
Ou seja, em tese, a comissão julgadora não saberia quem é quem e só na hora da abertura dos envelopes apareceriam os nomes das agências vencedoras. Não foi o que aconteceu.
O mercado publicitário está em polvorosa. Todos os derrotados prometem chiar alto com a Petrobras e possivelmente na Justiça.
Entre os vencedores, duas agências (Quê e Heads) já detêm a conta da Petrobras. A Dentsu é a novata (de origem japonesa, desfez sua parceria com a DPZ há dois meses), tirando o espaço que hoje é da F/Nazca. Isso se o resultado for mantido.
"
veja aqui
É inacreditável mais esta (se é que ainda achamos alguma coisa inacreditável neste sofrido país haitiano de instituições).
Em qualquer país civilizado, um vazamento deste pararia completamente o processo. Mas, aqui, não. Continua-se a fazer a abertura dos envelopes, esperando a semana passar.
É assim e toda a parte. O Sarney mentiu? Fica no cargo até que novos escândalos venham a mudar o foco; Arruda foi visto pegando propina? Fica no governo, esperando as manobras 'legais'. Coisa assim.
Ninguém vai preso por executar crimes à vista de todos.
O mundo tem paraísos fiscais. O Brasil tem isto também para alguns e se desponta como um paraíso moral.
27 janeiro 2010
Entrega de Chávez
Source: Hubblesite.org
Um princípio básico da Astronomia diz que quanto mais quente e brilhante for uma estrela, menos tempo de vida ela terá, por causa da transformação voraz de sua massa em energia. Seu fim é uma explosão formidável; ou uma implosão fria, sob a qual esmaece e vira uma anã.
Diz-se que o nosso corpo vive mais quanto mais magro for: quanto maior a bagagem, mais curta a viagem.
Temos vários exemplos paralelos ao que acontece no âmbito das relações humanas. Hugo Chávez, com sua maneira explosiva e enérgica de lidar com o mundo, tenderia mesmo a desgastar-se; era apenas uma questão de tempo.
Como as estrelas, porém, se explodir, se sua queda for bastante dramática, o rearranjo trará benefícios gerais, gerando novos elementos e espalhando maiores possibilidades pelo universo em que estava contido.
Leia mais
Um pouco mais
12 janeiro 2010
Leituras do momento político
O presidente Lula disse algumas vezes que ler não é com ele. Disse isto, por outras palavras.
Quem não lê não pensa direito, pois usa apenas as opiniões próprias; o homem individual não se basta.
Quando o assunto é rasteiro, ele se sai muito bem, mas quando as sutilezas e delicadezas da política exigem um plano de voo que tenha origem em cartas bem estudadas e bem aprendidas deixa muito a desejar.
O caso dos caças, que ele tanto falou sem pensar, imaginava, talvez, que falasse para o povo que entende a sua língua - povo este que deve ser o que gosta de ficar sem camisa tomando cerveja horas e horas nos pés-sujos, sem nunca pegarem num livro.
Agora o decreto que ele acabou de assinar, sobre direitos humanos e outros assuntos: uma peça engendrada por incompetentes e assinada sem ler, segundo dizem.
Lula, entretanto, num raro momento de reflexão, desta vez não se atreveu a dizer tal asneira. Que não leu, não leu, sabemos disto, mas sabe que isto não o exime de responsabilidade.
Sem o amparo da Filosofia, o homem regride e é uma tolice adicional não querer saber dela, conquista milenar que os grandes gregos nos legaram.
E Filosofia não é uma matéria fácil, razão pela qual é necessário ler muito a respeito, debater, observar e muitas vezes reler e reler.
Todo político deveria ter isto em mente, para poder melhor compreender - primeiramente a si mesmo - o homem, pois, supostamente em nossos dias, dele é representante.
Quando Lula diz que ler é dispensável, já se sabe o que de suas ações pode resultar, principalmente quando a coisa é séria; mas o presidente fica feliz quando fala em termos chulos, quando emprega metáforas futebolísticas também: é uma desculpa para obter alforria pelo que diz; mas não é boa.
Para ele e para muitos dos que o admiram a filosofia de botequim basta.
Quem não lê não pensa direito, pois usa apenas as opiniões próprias; o homem individual não se basta.
Quando o assunto é rasteiro, ele se sai muito bem, mas quando as sutilezas e delicadezas da política exigem um plano de voo que tenha origem em cartas bem estudadas e bem aprendidas deixa muito a desejar.
O caso dos caças, que ele tanto falou sem pensar, imaginava, talvez, que falasse para o povo que entende a sua língua - povo este que deve ser o que gosta de ficar sem camisa tomando cerveja horas e horas nos pés-sujos, sem nunca pegarem num livro.
Agora o decreto que ele acabou de assinar, sobre direitos humanos e outros assuntos: uma peça engendrada por incompetentes e assinada sem ler, segundo dizem.
Lula, entretanto, num raro momento de reflexão, desta vez não se atreveu a dizer tal asneira. Que não leu, não leu, sabemos disto, mas sabe que isto não o exime de responsabilidade.
Sem o amparo da Filosofia, o homem regride e é uma tolice adicional não querer saber dela, conquista milenar que os grandes gregos nos legaram.
E Filosofia não é uma matéria fácil, razão pela qual é necessário ler muito a respeito, debater, observar e muitas vezes reler e reler.
Todo político deveria ter isto em mente, para poder melhor compreender - primeiramente a si mesmo - o homem, pois, supostamente em nossos dias, dele é representante.
Quando Lula diz que ler é dispensável, já se sabe o que de suas ações pode resultar, principalmente quando a coisa é séria; mas o presidente fica feliz quando fala em termos chulos, quando emprega metáforas futebolísticas também: é uma desculpa para obter alforria pelo que diz; mas não é boa.
Para ele e para muitos dos que o admiram a filosofia de botequim basta.
06 janeiro 2010
Tempos passados - 75 anos atrás
Olhando filmes antigos, vemos o quanto nossos antepassados, ligados diretamente a nós ou não, sofreram.
No filme em anexo, temos as condições insalubres de trabalho, tudo com cheiro de contemporânea (lá deles) modernidade.
Há gente fumando em ambiente cheio de papel; há gente lidando com chumbo derretido, venenoso, sem nenhuma proteção; há o barulho das máquinas que ensurdecia vagarosamente.
Daqui a setenta e cinco anos, verão nossos filmes e apontarão problemas que hoje não percebemos inteiramente, ou o planeta caminha para um retorno às más condições de nosso, hoje, passado, mesmo de forma diferente?
No filme em anexo, temos as condições insalubres de trabalho, tudo com cheiro de contemporânea (lá deles) modernidade.
Há gente fumando em ambiente cheio de papel; há gente lidando com chumbo derretido, venenoso, sem nenhuma proteção; há o barulho das máquinas que ensurdecia vagarosamente.
Daqui a setenta e cinco anos, verão nossos filmes e apontarão problemas que hoje não percebemos inteiramente, ou o planeta caminha para um retorno às más condições de nosso, hoje, passado, mesmo de forma diferente?
Agradecimento a todos que fazem algum serviço por mim
Neste ano que se encerrou, durante a virada do ano, pensei naqueles que fazem alguns serviços que nem de longe eu gostaria de fazer. Por exemplo, o do médico legista, o do enfermeiro, o do lixeiro, o do técnico que sobe em postes altíssimos; o dos que trabalham recolhendo cadáveres em enchentes, o dos que cuidam de crianças cancerosas.
Meu profundo agradecimento, por me livrarem de tais tarefas essenciais. Que Deus os proteja e fortaleça em suas tarefas.
Meu profundo agradecimento, por me livrarem de tais tarefas essenciais. Que Deus os proteja e fortaleça em suas tarefas.
19 dezembro 2009
Censura
Se estão falando mal de algum coronel ao estilo dos do século XIX, que se cale a voz. Se o mau cheiro existe, que se aplique aerossóis para com ele conviver.
O episódio da censura imposta ao jornal Estado de São Paulo perpetrada pela justiça brasileira é uma tristeza.
Diz-se que vivemos numa democracia, onde o radical desta palavra tem ficado cada vez menor e o sufixo mais e mais sem sentido ao acompanhar tal tendência. Parcialmente democrático (o que é um paradoxo, pois povo é um todo) talvez o seja, quando não incomoda integrantes do estado, ele próprio um tipo de pessoa além das duas aceitas, física e jurídica.
Ou seja, se o beneficiário da denominação pertencer ao próprio estado, ah!, esses estão sob a tal 'democracia'.
O estado se considera uma pessoa, e com direitos apenas. Ao estado tudo é permitido, o que caracteriza bem um governante que tenha poderes monárquicos, absolutista.
O estado não precisa prestar contas e, como a Hidra de Lerna, tem cabeças preliminarmente em três lugares diferentes, mas espalhando - exemplarmente e liberalizante de obrigações - seus esporos germinativos por toda a União.
A anarquia não é a saída, mas o absolutismo estatal não pode também ter vez.
Se o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente, o estado brasileiro não tem como galgar mais um degrau nesta direção.
A situação é tão difícil no plano moral que tal idéia nos parece, absurdamente, um alívio.
O episódio da censura imposta ao jornal Estado de São Paulo perpetrada pela justiça brasileira é uma tristeza.
Diz-se que vivemos numa democracia, onde o radical desta palavra tem ficado cada vez menor e o sufixo mais e mais sem sentido ao acompanhar tal tendência. Parcialmente democrático (o que é um paradoxo, pois povo é um todo) talvez o seja, quando não incomoda integrantes do estado, ele próprio um tipo de pessoa além das duas aceitas, física e jurídica.
Ou seja, se o beneficiário da denominação pertencer ao próprio estado, ah!, esses estão sob a tal 'democracia'.
O estado se considera uma pessoa, e com direitos apenas. Ao estado tudo é permitido, o que caracteriza bem um governante que tenha poderes monárquicos, absolutista.
O estado não precisa prestar contas e, como a Hidra de Lerna, tem cabeças preliminarmente em três lugares diferentes, mas espalhando - exemplarmente e liberalizante de obrigações - seus esporos germinativos por toda a União.
A anarquia não é a saída, mas o absolutismo estatal não pode também ter vez.
Se o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente, o estado brasileiro não tem como galgar mais um degrau nesta direção.
A situação é tão difícil no plano moral que tal idéia nos parece, absurdamente, um alívio.
09 dezembro 2009
Uma ilha
Eu moro no Rio de Janeiro há muitos anos. Vejo que, a cada ano, os serviços pioram. Hotéis com mosquitos, quiosques de praia sujos, praia suja, areia suja, táxis caindo aos pedaços, ônibus sem ar-condicionado e sem padrão para facilitar as entradas e saídas, mendigos às centenas dormindo sob as marquises do Centro, ruas com sinalização viária caótica e por aí vai.
Em termos de belezas naturais, o Rio é imbatível. Somente nisto. Em serviços, deixa muito a desejar.
O mais cruel dessa história é que o carioca não reclama. Para ele tudo está bom do jeito que está.
Aliás, Rio de Janeiro é apenas uma faixa de uns dois ou três quilômetros de largura por uns cem, no máximo, de comprimento. É a parte das praias.
É assim que considera "Rio de Janeiro" os habitantes da Zona Sul. Chegam a dizer - com certo orgulho - que, além túnel (no caso, o Novo), não conhecem nada e este é um dos motivos do abandono geral.
Os da Zona Norte também acham que o Rio de Janeiro é o do cartão postal e assim a cidade deteriora a cada dia.
Entretanto, há uma ilha nesse mar de indiferença: se algum dia desejar um serviço de qualidade, vá almoçar na Quinta da Boa Vista.
Isto mesmo. O lugar desdenhado pela classe média empedernida da Zona Sul abriga um restaurante que na tão decantada Zona Sul não tem.
Chama-se Restaurante Quinta da Boa Vista. Lugar limpo, a preço compatível com o bom tratamento.
Ah! Eles não me pagaram nada para dizer isto, mas eu faço questão. Espero que nunca fechem as portas.
Em termos de belezas naturais, o Rio é imbatível. Somente nisto. Em serviços, deixa muito a desejar.
O mais cruel dessa história é que o carioca não reclama. Para ele tudo está bom do jeito que está.
Aliás, Rio de Janeiro é apenas uma faixa de uns dois ou três quilômetros de largura por uns cem, no máximo, de comprimento. É a parte das praias.
É assim que considera "Rio de Janeiro" os habitantes da Zona Sul. Chegam a dizer - com certo orgulho - que, além túnel (no caso, o Novo), não conhecem nada e este é um dos motivos do abandono geral.
Os da Zona Norte também acham que o Rio de Janeiro é o do cartão postal e assim a cidade deteriora a cada dia.
Entretanto, há uma ilha nesse mar de indiferença: se algum dia desejar um serviço de qualidade, vá almoçar na Quinta da Boa Vista.
Isto mesmo. O lugar desdenhado pela classe média empedernida da Zona Sul abriga um restaurante que na tão decantada Zona Sul não tem.
Chama-se Restaurante Quinta da Boa Vista. Lugar limpo, a preço compatível com o bom tratamento.
Ah! Eles não me pagaram nada para dizer isto, mas eu faço questão. Espero que nunca fechem as portas.
05 dezembro 2009
Queda da Bastilha
Muitos gostariam de ter uma Queda da Bastilha doméstica. Possivelmente, a fala do Ministro, veladamente, acenda o rastilho, diante do peso de sua autoridade; dê uma idéia aos mais exaltados.Mas, ao episódio emblemático da Revolução Francesa, veio o Terror, onde os excessos do momento mancharam os ganhos libertários do espírito da revolução; poucos têm isto em memória.
Mas, simbolicamente, o episódio da invasão da Câmara do Distrito Federal nos leva a acreditar que o exemplo francês pode ser revivido, preferencialmente de forma firme, mas anti-hemorrágica.
No plano federal entretanto, onde merecem todos os estados ações parecida - pois o Efeito Arruda não é um caso isolado -, a popularidade de Lula une as partes conflitantes, num aparente distanciamento crítico por parte da população.
A agulha do carisma de Lula costura o manto sob o qual tudo se esconde, enquanto a linha econômica mantém fortemente tudo no lugar.
Mas isto está com os dias contados. Lula é um fenômeno e, assim, pontual.
Como será sob o próximo governante?
25 agosto 2009
Os simpatizantes do PT e mais seus partidários andam a cada dia mais nervosos com a candidatura forçada de Dilma Roussef.
Se lançam todos os meios para garantir o poder, a continuidade do PT em todas as esferas do Poder.
Explica-se o comportamento dos integrantes e aliados do PT. Mais de seus integrantes.
O que não se justifica, pode se explicar, claro.
Há ligações histórico-comportamentais com a Situação.
O PT não tem nomes a altura do próprio Lula. Lula confunde-se com o PT, ou é o único petista. Os outros são apenas filiados, sem representatividade. O Rei Sol não disse - ainda - 'Lè ètat est moi', mas nem precisa; isto poreja no petismo.
Há um medo - também explicável e muito justificado agora - geral no petismo com o intervalo 2010-2014 e, após o Alcácer Kibir da próxima eleição presidencial, esperarão o novo Dom Sebastião retornar para salvar-lhe a pátria.
E a realeza planaltina, agora mais eudeusado do que idolatrado, nesta miragem de fogo-fátuo, acende no coração dos seguidores a saudade prévia do messias de Garanhuns, cuja incerteza de volta lhes é acachapante.
Se lançam todos os meios para garantir o poder, a continuidade do PT em todas as esferas do Poder.
Explica-se o comportamento dos integrantes e aliados do PT. Mais de seus integrantes.
O que não se justifica, pode se explicar, claro.
Há ligações histórico-comportamentais com a Situação.
O PT não tem nomes a altura do próprio Lula. Lula confunde-se com o PT, ou é o único petista. Os outros são apenas filiados, sem representatividade. O Rei Sol não disse - ainda - 'Lè ètat est moi', mas nem precisa; isto poreja no petismo.
Há um medo - também explicável e muito justificado agora - geral no petismo com o intervalo 2010-2014 e, após o Alcácer Kibir da próxima eleição presidencial, esperarão o novo Dom Sebastião retornar para salvar-lhe a pátria.
E a realeza planaltina, agora mais eudeusado do que idolatrado, nesta miragem de fogo-fátuo, acende no coração dos seguidores a saudade prévia do messias de Garanhuns, cuja incerteza de volta lhes é acachapante.
17 agosto 2009
Cálice de Holanda

De tão gorda a porca já não anda, de muito usada a faca já não corta...
Chico disse isto há muitos anos e muito bem sobre a ditadura militar,sobre o uso intensivo de força.
Não se podia falar, mostrar erros; a lâmina estava sempre pronta.
O senado (assim, em letras minúsculas, e inclua-se nesta pequenez a excelência parlamentar que desejar assumi-la) tem nos proporcionado o que há de mais rasteiro em termos de moral. É a bola da vez, como se diz popularmente. Já outros integrantes do estado tiveram a sua oportunidade de mostrar o lado escuro das negociatas.
Ali forja-se uma nova conduta, que, por vasos comunicantes sem torneiras restritivas, passa o veneno para todo o sistema.
Dizia um camelô com uma visão de negócios muito além da de seus pares: uma pequena colher de veneno num balde de água límpida espalha-se por todo o conteúdo.
Nos tempos do regime de exceção (locução bonita para uma realidade plúmbea), as maiores patentes ocupavam, na lógica vertical militar, os maiores cargos e, por condução automática, descia a ladeira nos (des)mandos. Faltou chegar a sargento o título de algum dirigente de órgão estatal.
Não deu tempo. Se ficassem mais alguns poucos anos no poder, teríamos cabos ou soldados dirigindo o Detran.
A população tem a automática aceitação de que Brasília, por voto ou por golpe, dê a direção do que é certo ou errado. O que se faz no Distrito Federal, repercute nos degraus mais baixos da hierarquia social, de modo que, se os legisladores fazem e se regulam por tais e tais procedimentos, quem seremos nós, a gente comum definida por Lula, para contrariar?
Brasília, entretanto, não gosta muito disto. Acha que seus privilégios passam por uma isolada fruição. Não é possível que todos ajam da mesma forma, segundo eles. A lei escrita, o preto no branco, é para ser seguida por todos (os outros).
É nítido isto nos sarneys, que não são apenas os herdeiros de josé ribamar. Sob este sobrenome, tão emblemático, se abriga o estado (também em letras pequenas) inteiro, pois é uma família apenas.
A imprensa, a cada dia, nos mostra uma nova faceta do congresso, sem que nenhuma providência seja tomada por algum órgão competente. Todos são incopetentes diante do poder do estado, pois também são parte dele. É difícil meter a faca na própria carne e infinitamente mais galhardo espetar-se a de outrem.
De embainhada a faca do estado não o cortará jamais; de muito usada, a faca da opinião pública já não corta; a porca estatal segue e, de tão gorda, não consegue mais dar um passo, a não ser na direção do cocho.
04 agosto 2009
O Tietê Universal
A luz forte do sol lá fora fazia um grande contraste com o escuro do cômodo.
Poucas pessoas. Móveis rústicos, panelas penduradas e com teias de aranha. Gente magra.
Era um grupo de dez, doze, que mais pareciam estátuas. Desgrenhadas, sem beleza, mesmo entre as mais jovens.
Havia muito que não
tomavam banho e o odor e as moscas também de há muito que haviam deixado de incomodar.
Aprenderam a falar palavras essenciais, num novo dialeto.
Algumas olhavam a luz de fora; outros distraíam-se com coisas miúdas ao alcance da mão.
Ninguém agitava. O silêncio era profundo.
___ Ninguém beber da água arranjei – falou Santiago, enquanto escondia o vasilhame de líquido barrento - com dois dedos de nível - dos olhos dos outros.
Poucas pessoas. Móveis rústicos, panelas penduradas e com teias de aranha. Gente magra.
Era um grupo de dez, doze, que mais pareciam estátuas. Desgrenhadas, sem beleza, mesmo entre as mais jovens.
Havia muito que não
tomavam banho e o odor e as moscas também de há muito que haviam deixado de incomodar.Aprenderam a falar palavras essenciais, num novo dialeto.
Algumas olhavam a luz de fora; outros distraíam-se com coisas miúdas ao alcance da mão.
Ninguém agitava. O silêncio era profundo.
___ Ninguém beber da água arranjei – falou Santiago, enquanto escondia o vasilhame de líquido barrento - com dois dedos de nível - dos olhos dos outros.
Ele não faria como os outros. Ficaria. Até o fim. Se estavam decididos, ele também ficaria firme na própria opinião. E sua firmeza era a de não fazer nada. Estava cansado da luta. Capitulava, mas de modo diferente do dos outros.
___ Covardes! - disse consigo.
E olhou para trás para certificar-se de que todos ouviram, por via das dúvidas.
Escutaram mas permaneceram calados. Santiago tinha a consciência de que escamoteavam a intenção para não despertarem suspeita; todo cuidado era pouco na hora de roubar.
Pura dissimulação.
Santiago pensou mais um pouco e achou que todo pensamento como aquele era de completa inutilidade.
___ Vai morrer último, devagar... – retrucou Pedro molemente, enquanto afiava a faca sem pressa.
___ Pior pra você – continuou Pedro.
___ Sua parte pra outros... – falou ainda mais.
Os homens falaram sem gestos, olhando-se fugazmente nos olhos.
O olhar fixo, aquele do reino animal, deveria ser sempre evitado; disposição de luta; desafio; e luta era, sobretudo, movimento.
O telhado crepitou.
O mais velho, cuja certidão de nascimento apresentava-se na cabeça branca, resmungou qualquer coisa.
___ Lembro água grande... – disse uma mulher, e interrompeu a fala para economizar o todo mais um pouco.
O silêncio veio tomar seu lugar ainda mais.
___ Na cidade hidrantes, fontes espirrando acima...
Uma criança tencionou limpar o suor do rosto, que a mãe não deixou, passando a língua para aproveitar a umidade.
___ Pára! – alguém disse de lugar incerto naquele metro-quadrado.
___ Mamãe... Com sede... - choramingou a criança.
___ Agora não demorar... Só mais pouquinho, meu bem...
___ Lembro desmatamento... – outra voz anônima.
A mãe olhou em volta.
___ Se vamos acabar com isso, porque ainda estamos nessa idiotice de economizar palavras? O que tínhamos de economizar antes eram as nossas florestas, nossos rios... Agora só existe areia... Me dá logo essa caneca! – disse, estendendo a mão para Pedro.
Santiago olhou para ela; queria saber se tinha mesmo coragem de continuar com aquilo.
A mulher deu da caneca, passada pela mão de Pedro, à filha e deixou-a beber metade. A menina fez uma careta.
___ Ruim...
A mãe tomou o resto e também fez uma careta, devolvendo o vasilhame.
___ Não vou ficar por último – falou Pedro, tomando sua parte inteiramente.
Logo os demais quase disputaram a vez, se não fosse o velho hábito de economizar movimentos.
Em poucos minutos, somente Santiago restava vivo.
Fez um gesto despeitado com a mão na direção do grupo, como se espantasse uma mosca incômoda.
Voltou-se para fora.
Do alto do morro, viu o Pão de Açúcar elevar-se imponentemente sobre dunas de areia, a perder de vista por todos os lados.
Santiago pensou mais um pouco e achou que todo pensamento como aquele era de completa inutilidade.
___ Vai morrer último, devagar... – retrucou Pedro molemente, enquanto afiava a faca sem pressa.
___ Pior pra você – continuou Pedro.
___ Sua parte pra outros... – falou ainda mais.
Os homens falaram sem gestos, olhando-se fugazmente nos olhos.
O olhar fixo, aquele do reino animal, deveria ser sempre evitado; disposição de luta; desafio; e luta era, sobretudo, movimento.
O telhado crepitou.
O mais velho, cuja certidão de nascimento apresentava-se na cabeça branca, resmungou qualquer coisa.
___ Lembro água grande... – disse uma mulher, e interrompeu a fala para economizar o todo mais um pouco.
O silêncio veio tomar seu lugar ainda mais.
___ Na cidade hidrantes, fontes espirrando acima...
Uma criança tencionou limpar o suor do rosto, que a mãe não deixou, passando a língua para aproveitar a umidade.
___ Pára! – alguém disse de lugar incerto naquele metro-quadrado.
___ Mamãe... Com sede... - choramingou a criança.
___ Agora não demorar... Só mais pouquinho, meu bem...
___ Lembro desmatamento... – outra voz anônima.
A mãe olhou em volta.
___ Se vamos acabar com isso, porque ainda estamos nessa idiotice de economizar palavras? O que tínhamos de economizar antes eram as nossas florestas, nossos rios... Agora só existe areia... Me dá logo essa caneca! – disse, estendendo a mão para Pedro.
Santiago olhou para ela; queria saber se tinha mesmo coragem de continuar com aquilo.
A mulher deu da caneca, passada pela mão de Pedro, à filha e deixou-a beber metade. A menina fez uma careta.
___ Ruim...
A mãe tomou o resto e também fez uma careta, devolvendo o vasilhame.
___ Não vou ficar por último – falou Pedro, tomando sua parte inteiramente.
Logo os demais quase disputaram a vez, se não fosse o velho hábito de economizar movimentos.
Em poucos minutos, somente Santiago restava vivo.
Fez um gesto despeitado com a mão na direção do grupo, como se espantasse uma mosca incômoda.
Voltou-se para fora.
Do alto do morro, viu o Pão de Açúcar elevar-se imponentemente sobre dunas de areia, a perder de vista por todos os lados.
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