O episódio Palocci e o recente Alfredo-Nascimento expõem aos olhos de todos claramente o que é o governo Lula, que continua do mesmo jeito; na forma, mas não na exibição.
Sabíamos o que acontecia, mas nos sentíamos até 'respeitados' com a clandestinidade dos atos. É como se houvesse uma vergonha da politicagem em agir nos subterrâneos do poder. Negavam até o fim.
Com a entrada de Dilma, e sendo impossível representar Lula como se ele fosse, a contenção à publicação imposta pelo presidente desvaneceu-se por inabilidade cênica, e a 'vergonha' desapareceu naturalmente.
Tanto isto é verdade que, como disse - segundo o blog do Ricardo Noblat - o deputado Lincoln Portela, líder do PR na câmara dos deputados, acerca da indicação de Paulo Sérgio Passos, "Ele é competente, sério, probo e íntegro, mas entre isso e ser ministro há uma distância a percorrer". Isto é, para ser ministro, estas qualidades não servem; é necessário coisa contrária a isto.
Tal fala poderia ser classificada como ato falho, se houvesse um mínimo de preocupação com o que se faz na república.
Eles não têm mais a necessidade de esconder nada.
Coisas deste tipo, nos últimos seis meses, nascem como samambais no verão.
Estiveram sempre lá, embora.
08 julho 2011
04 junho 2011
Quase tudo dito e feito
Escrevi, antes da vitória de Dilma em outubro de 2010, que a presidente teria muitas dificuldades em seu mandato, principalmente por fogo amigo, diante do saco de gatos que é a base governista. Haveria muita demanda, muito ciúme, muito interesse. A oposição formal, por sua vez, não lhe faria força contrária, que sairia destroçada no pleito, que não mais existiria na prática. Não me orgulho de ter acertado.
Disse também que Lula constituiria-se por todos os indícios numa eminência parda no novo governo, caso Dilma vencesse.
Dilma venceu e eu errei: A crise Palocci - Antônio Palocci é suspeito de enriquecimento ilícito - trouxe Lula sem o menor constrangimento à cena política, roubando da presidente o papel central nas ações que seriam obrigações naturais da mandatária do maior cargo do executivo.
Lula não se tornou uma eminência parda: ele é, virtualmente, o presidente da república. Lula, com a desenvoltura característica de um elefante na cristaleira quando se trata de proteger seus próprios interesses, sua marca registrada, visitou deputados e senadores do PT, a fim de convencê-los a apoiar e não a rachar o bloco dos convenientemente simpáticos ao combalido ministro de sua própria indicação. Tudo isto sem nenhuma reserva. Pelo contrário, comentando absurdamente sobre o comportamento e (im)competência política de Dilma, sobre sua fraqueza - embora parecesse dizer isto entre aspas -, com um tom leve de um assassino em série que morde sua vítima sutilmente, enquanto inocula-lhe um veneno fatal, enterrando de vez a força da eleita. Reduziu-a a uma zumbi, que não sabe onde está, mas que preferiria, disto sim ela tem consciência, estar longe dali.
Dilma não existe para Lula, foi o que ele provou, foi o que Dilma viu, mas que todos fingem estar tudo bem . Afinal, que saída têm todos eles? Sabiam disto desde o início da indicação da burocrata. Torceram os narizes na época, mas obedeceram.
Quem pariu Mateus que o embale!
Mas, Dilma não pode demitir Palocci sob pena de ver, por uma possível - mas improvável - represália do então defenestrado ministro, seus pares e políticos da situação apontados como prevaricadores, pois todos têm rabos presos com todos.
Palocci não faria isto, evidentemente, pois político sempre olha o futuro e a necessidade de acordos futuros, mas alguma coisa certamente deixaria vazar, traído que se sentira por ter comunicado seus feitos a todos previamente.
Não cabe na cabeça de ninguém que Dilma e seus colegas desconhecessem as ações de Palocci. Apenas, como sói acontecer há décadas, o senso de proporção está desaparecido da política, e faz-se tudo sem se preocupar com a justiça, pois ela não pune gente graúda.
Neste caso e como no governo formal de Lula, espera que o indigitado peça demissão, isto é, torce pelo auto-sacrifício. É sua última esperança neste estado de coisas. E deve ser atendida.
Palocci, para preservar-se na futura atividade "civil" que irá exercer após sua saída do governo, para não fixar ainda mais na memória de todos os dois episódios em que teve parte ativa (Francenildo e agora a suspeita de tráfico de influência), sairá espontaneamente.
Isto porém não salvará Dilma. É tarde demais e Lula apressou o processo. Seu governo está chegando ao fim e muito provavelmente ela alegará alguma doença para renunciar ao cargo de maneira honrosa , q ue muito levianamente aceitou, embevecida também pelo poder de Lula, que nunca a apoiou realmente, mas claramente a preparara como escada para sua volta triunfal em 2014.
O que nos resta, para, como eu disse antes no outro texto de outubro de 2010, melhorar o país, é que Lula também saia com prejuízo desta história da qual é o mentor, para que seu magnetismo de serpente não mais consiga paralisar todos aqueles que dele discordem, mesmo tendo interesses na vitória sob sua sombra. Sua sede de poder, sua saudade de glória contínua, foi seu canto de cisne. Ele exagerou agora e também enterra suas pretensões, pois até às próximas eleições presidenciais haverá muitos outros candidatos.
Há uma outra saída para a presidente, entretanto. Remota, mas há.
Quem sabe Dilma, acuada como está no canto, qual fera perseguida e por isto mesmo passando a perigosa, resolva ser presidente. Mandar Lula às favas; o PMDB e seus acordos leoninos, e a banda evangélica e seu porta-voz chantagista Garotinho para o inferno; Temer para o espaço e, de lambuja, Sarney para um sarcófago carcomido.
Neste impensável gesto, terá apoio dos eleitores e virará o jogo a seu favor, trocando o conluio para governança, o contrato que fizera com o diabo em troca de poder, pelo respeito que todo verdadeiro líder recebe de seus admiradores.
Quem sabe Dilma surpreenda a si mesma.
27 fevereiro 2011
Orfandade
Hoje morreu Moarcyr Scliar.
Dele, só li a Majestade do Xingu, de que gostei muito.
Sei lá, estou me sentindo meio órfão.
Dele, só li a Majestade do Xingu, de que gostei muito.
Sei lá, estou me sentindo meio órfão.
08 janeiro 2011
Admirável gado novo
As notícias sobre a concessão de passaportes para os filhos de Lula e a consequente descoberta de que muitos parlamentares têm distribuído à família o mesmo tipo de documento, com a conivência e, além, iniciativa das casas, não nos surpreende.
É fácil ver que não mais nos escandalizamos com as ações dos integrantes do estado brasileiro.
Os políticos brasileiros olham com grande espanto para o noticiário que aponta algo errado, algo imoral em suas condutas. Para eles, a lei é para vassalos, pois o estado sou eu, diriam todos de per si.
Acostumados com os os anos e anos da ditadura militar e, possivelmente, com a herança que chegou via o golpe na ocasião da proclamação da república, sentem-se aviltados em seus direitos naturais: sendo políticos e, assim, integrantes do estado, são como fazendeiros que não dão ouvidos ao seu gado, pois lhes é sabido que gado não fala e não pensa. E seus filhos, por herança direta, a mesma inteligência com a paz dos justos lhes cai bem.
O conorelismo veio há mais de cem anos e ficou.
Ao gado cabe apenas pastar para engordar, caminhando em seguida para o matadouro - o imposto - como tanto gosta o estado -, que é o lugar onde seu dono embolsa os lucros.
A olhar bem para isto, vemos que também os capatazes - aqueles que viveram a soldo do governo nos últimos (muitos) anos - se sentem dignos de picar com suas lanças os bovinos, pois a qualquer mugido mais alto, o berrante toca alto também, dizendo: "no tempo do coronel FHC vocês também iam para o matadouro, como querem ser diferentes agora? Gado só fornece... Quando muito, come... Ê, ô..."
É fácil ver que não mais nos escandalizamos com as ações dos integrantes do estado brasileiro.
Os políticos brasileiros olham com grande espanto para o noticiário que aponta algo errado, algo imoral em suas condutas. Para eles, a lei é para vassalos, pois o estado sou eu, diriam todos de per si.
Acostumados com os os anos e anos da ditadura militar e, possivelmente, com a herança que chegou via o golpe na ocasião da proclamação da república, sentem-se aviltados em seus direitos naturais: sendo políticos e, assim, integrantes do estado, são como fazendeiros que não dão ouvidos ao seu gado, pois lhes é sabido que gado não fala e não pensa. E seus filhos, por herança direta, a mesma inteligência com a paz dos justos lhes cai bem.
O conorelismo veio há mais de cem anos e ficou.
Ao gado cabe apenas pastar para engordar, caminhando em seguida para o matadouro - o imposto - como tanto gosta o estado -, que é o lugar onde seu dono embolsa os lucros.
A olhar bem para isto, vemos que também os capatazes - aqueles que viveram a soldo do governo nos últimos (muitos) anos - se sentem dignos de picar com suas lanças os bovinos, pois a qualquer mugido mais alto, o berrante toca alto também, dizendo: "no tempo do coronel FHC vocês também iam para o matadouro, como querem ser diferentes agora? Gado só fornece... Quando muito, come... Ê, ô..."
23 dezembro 2010
Assange
Julian Assange, referido por Domenico Magnoli - do Estadão - como o herói sem caráter, não é um vingador das histórias de quadrinhos, no sentido laudatório da palavra.
Entretanto, faz de cada um de nós um pouco mais protegido perante o estado que tudo pode e nada tem a dizer sobre seus atos.
Evidentemente, os segredos precisam ser mantidos, desde que não sejam para enganar ninguém, que não sejam para prejudicar as pessoas, e isto, caro leitor, é o que mais os estados têm feito.
Seja a guerra do Vietnã e do Watergate, nos Estados Unidos, seja o mensalão - ponta de iceberg - no Brasil, se não fossem os vazamentos imaginem quantas pessoas não continuariam a ser prejudicadas.
Sob a capa da tão propalada segurança nacional, muitas maldades foram feitas; umas grandes, outras nem tanto, mas coisas ruins não se medem por intensidade de seus efeitos. Não devem existir, e pronto.
Assange pode ter feito mal, exagerado em sua necessidade de luz de palco, em seus minutos de fama, mas resta de sua ação um ponto positivo inegável: os estados vão tomar mais cuidado doravante, descobridores que são - tardiamente até - da penetrabilidade total dos arquivos hodiernos. Se se quiser, não há chave de criptografia que se baste.
Ou as agências de espionagem, e contra, venham a arrefecer seus ímpetos, ou diminuam seus registros gravados em papel e em outros meios.
Esperemos que o capricho com os registros seja a primeira opção.
15 outubro 2010
14 outubro 2010
Olhando no sentido inverso
O resgate de todos os 37 mineiros chilenos, (33 mineiros ativos e 4 socorristas) teve momentos de grande impacto emocional, principalmente após a expectativa da saída do primeiro deles.
Hoje, a afirmativa de que são heróis me parece exagerada.
Claro que heroísmo existiu, pois ficaram mais de duas semanas sem nenhum contato com o mundo exterior, quando precisaram tirar de suas experiências trabalhistas a calma e a prudência - além da esperança - necessárias à preservação de suas vidas. Na verdade, os mineiros confinados eram mais vítimas, que é a parte passiva dos sinistros.
Claro, são merecedores de grande admiração. Sem dúvida.
Mas, heroi, heroi mesmo, foi o primeiro mineiro que desceu na cápsula, sem nenhuma garantia de que o equipamento e a técnica iriam funcionar.
Lá se foi ele, anônimo para as massas e aos políticos de ocasião - como sempre ávidos por palanque -, solidário, intimorato, levar sua vida ao socorro das de outros.
Ao herói solitário e discreto, 37 hurras!
Hoje, a afirmativa de que são heróis me parece exagerada.
Claro que heroísmo existiu, pois ficaram mais de duas semanas sem nenhum contato com o mundo exterior, quando precisaram tirar de suas experiências trabalhistas a calma e a prudência - além da esperança - necessárias à preservação de suas vidas. Na verdade, os mineiros confinados eram mais vítimas, que é a parte passiva dos sinistros.
Claro, são merecedores de grande admiração. Sem dúvida.
Mas, heroi, heroi mesmo, foi o primeiro mineiro que desceu na cápsula, sem nenhuma garantia de que o equipamento e a técnica iriam funcionar.
Lá se foi ele, anônimo para as massas e aos políticos de ocasião - como sempre ávidos por palanque -, solidário, intimorato, levar sua vida ao socorro das de outros.
Ao herói solitário e discreto, 37 hurras!
03 outubro 2010
A esperança era verde
Hoje as eleições para os cargos de presidente da república, senadores e deputados mostraram situações interessantes perante às várias pesquisas de intenção de voto. Não se realizaram em muitos casos.
Nestas semanas anteriores a hoje, quase todas elas apontavam uma grande possibilidade de Dilma Rousseff vir a ganhar as eleições logo no primeiro turno. Isto não aconteceu. Dilma alcançou índice inferior a 46%. Inimaginável há poucos dias.
Dilma tinha, segundo o sentimento geral, apenas José Serra como oponente com alguma relevância, embora as favas, segundo muitos, já estivessem contadas a favor da petista.
O que muitos perceberam é que o maior adversário de Dilma é o próprio PT e seus braços longos na corrupção generalizada, e não propriamente a força eleitoral de Marina Silva que, surpreendentemente, alcançou aproximadamente 20% dos votos válidos.
Marina apenas foi a onda verde da esperança, ou um recado a todos.
Marina era a feliz esperança daqueles que não acham que o rouba-mas-faz é a tônica que todos devem reverenciar. Marina foi quase um voto de protesto, pois todos os seus eleitores sabiam que ela não chegaria ao segundo turno.
Marina não vai a segundo turno, que será dividido entre Dilma e Serra.
Na seara de Dilma, por todos esses oito anos de governo, Lula - o maior dos petistas de direito, mas não de fato por ter-se afastado do PT há muitos anos, constituindo-se num partido novo de referência personalista, cujo único membro é ele próprio - jogou uma capa impermeável sobre todos os desmandos e deixou tudo correr frouxamente, enquanto o populismo - sua característica mais forte - mantinha a cobertura no lugar.
Para o bem do Brasil, espero que Dilma vença.
Uma das táticas de guerra mais antiga é a divisão do exército adversário. Unido, não há como ganhar dele. Assim, infunde-se na tropa adversária maledicências, atrativos para parte dela, tudo em busca da redução da ideologia do grupo, pois idéias díspares num ajuntamento fechado é o elemento desconstrutor.
Sob minha visão não será necessário à oposição fazer nenhum movimento neste sentido. Dilma foi imposta ao PT pela vontade de Lula, tendo as divergências da indicação sufocadas pelo líder, que agora sai de cena formalmente, mas com certeza se transformando em eminência parda, como uma conquista de um terceiro mandato sem ferir a Constituição.
Dilma, por obrigação, terá de andar por suas próprias pernas muitas vezes e, na primeira oportunidade que escorregar, os insatisfeitos de seu partido começarão a sussurrar de descontentamento, e Lula não terá mais visibilidade para pôr a mão de ferro que vinha usando.
A continuidade das coisas mal resolvidas pelas ações oficiais de Dilma, que nunca prezou o jogo político mas apenas a truculência das ordens verticais, burocrata acostumada a mandar, irão crescer no seio do PT, que, por fogo amigo inevitável, irá minar a base de apoio da presidente.
Para o país, é melhor assim que Dilma vença, para que sejam implodidos pela luta interna as práticas e os elementos que vêm sendo catalisadores da corrupção desenfreada.
A possibilidade de Serra vencer o segundo turno faria o PT tornar-se unido contra ele e a falta de governabilidade irá ensejar coisas não muito boas por aí.
Ou seja, com Dilma ou Serra, as coisas não serão nada fáceis para os brasileiros de bem.
Espero que eu esteja errado em todos os cenários sombrios que agora teço.
Boa sorte para todos nós.
Nestas semanas anteriores a hoje, quase todas elas apontavam uma grande possibilidade de Dilma Rousseff vir a ganhar as eleições logo no primeiro turno. Isto não aconteceu. Dilma alcançou índice inferior a 46%. Inimaginável há poucos dias.
Dilma tinha, segundo o sentimento geral, apenas José Serra como oponente com alguma relevância, embora as favas, segundo muitos, já estivessem contadas a favor da petista.
O que muitos perceberam é que o maior adversário de Dilma é o próprio PT e seus braços longos na corrupção generalizada, e não propriamente a força eleitoral de Marina Silva que, surpreendentemente, alcançou aproximadamente 20% dos votos válidos.
Marina apenas foi a onda verde da esperança, ou um recado a todos.
Marina era a feliz esperança daqueles que não acham que o rouba-mas-faz é a tônica que todos devem reverenciar. Marina foi quase um voto de protesto, pois todos os seus eleitores sabiam que ela não chegaria ao segundo turno.
Marina não vai a segundo turno, que será dividido entre Dilma e Serra.
Na seara de Dilma, por todos esses oito anos de governo, Lula - o maior dos petistas de direito, mas não de fato por ter-se afastado do PT há muitos anos, constituindo-se num partido novo de referência personalista, cujo único membro é ele próprio - jogou uma capa impermeável sobre todos os desmandos e deixou tudo correr frouxamente, enquanto o populismo - sua característica mais forte - mantinha a cobertura no lugar.
Para o bem do Brasil, espero que Dilma vença.
Uma das táticas de guerra mais antiga é a divisão do exército adversário. Unido, não há como ganhar dele. Assim, infunde-se na tropa adversária maledicências, atrativos para parte dela, tudo em busca da redução da ideologia do grupo, pois idéias díspares num ajuntamento fechado é o elemento desconstrutor.
Sob minha visão não será necessário à oposição fazer nenhum movimento neste sentido. Dilma foi imposta ao PT pela vontade de Lula, tendo as divergências da indicação sufocadas pelo líder, que agora sai de cena formalmente, mas com certeza se transformando em eminência parda, como uma conquista de um terceiro mandato sem ferir a Constituição.
Dilma, por obrigação, terá de andar por suas próprias pernas muitas vezes e, na primeira oportunidade que escorregar, os insatisfeitos de seu partido começarão a sussurrar de descontentamento, e Lula não terá mais visibilidade para pôr a mão de ferro que vinha usando.
A continuidade das coisas mal resolvidas pelas ações oficiais de Dilma, que nunca prezou o jogo político mas apenas a truculência das ordens verticais, burocrata acostumada a mandar, irão crescer no seio do PT, que, por fogo amigo inevitável, irá minar a base de apoio da presidente.
Para o país, é melhor assim que Dilma vença, para que sejam implodidos pela luta interna as práticas e os elementos que vêm sendo catalisadores da corrupção desenfreada.
A possibilidade de Serra vencer o segundo turno faria o PT tornar-se unido contra ele e a falta de governabilidade irá ensejar coisas não muito boas por aí.
Ou seja, com Dilma ou Serra, as coisas não serão nada fáceis para os brasileiros de bem.
Espero que eu esteja errado em todos os cenários sombrios que agora teço.
Boa sorte para todos nós.
12 agosto 2010
Coisas que nos escapam
- A mulher - digo para todos - é o ser mais importante do mundo!
E isto cai como uma grande novidade, quando não deveria ser.
Não que sejam apenas os homens a me olhar incrédulos, como se eu estivesse dizendo a maior das asneiras, heresia, inverdade: as mulheres também o fazem, possivelmente surpresas por alguém pensar assim, pois na grande maioria das vezes lhes é ensinado que mulher - ser inferior, fraco e tolo - deve andar dois passos atrás do homem.
Pena; por todos.
Já pararam para pensar, caros homens e mulheres, que só existe adjetivo para distinguir um homem rude de um outro de maneiras nobres?
Claro, é costume encontrarem-se homens rudes.
Na língua francesa, temos gentilhomme; em inglês gentleman; em português cavalheiro, fidalgo. Certamente, em outras línguas não citadas também poderemos encontrar sinônimos.
Agora, diga-me se existe isto para qualificar uma mulher como, por exemplo, cavalheira? Há? Não há.
Se você retrucar que existe gentil-dona, está enganado: isto é um título nobiliárquico, algo que se diz que uma mulher é tão fina que só pode ser nobre, nada mais que um rótulo da nobreza política.
Sabe por que não existe? Por serem, naturalmente, pessoas dóceis.
Bem, pelo menos em essência. E se conhecemos mulheres que não valham muito neste conceito - relhes, vis, baixas, perdidas... - perdão, a culpa não é minha.
E isto cai como uma grande novidade, quando não deveria ser.
Não que sejam apenas os homens a me olhar incrédulos, como se eu estivesse dizendo a maior das asneiras, heresia, inverdade: as mulheres também o fazem, possivelmente surpresas por alguém pensar assim, pois na grande maioria das vezes lhes é ensinado que mulher - ser inferior, fraco e tolo - deve andar dois passos atrás do homem.
Pena; por todos.
Já pararam para pensar, caros homens e mulheres, que só existe adjetivo para distinguir um homem rude de um outro de maneiras nobres?
Claro, é costume encontrarem-se homens rudes.
Na língua francesa, temos gentilhomme; em inglês gentleman; em português cavalheiro, fidalgo. Certamente, em outras línguas não citadas também poderemos encontrar sinônimos.
Agora, diga-me se existe isto para qualificar uma mulher como, por exemplo, cavalheira? Há? Não há.
Se você retrucar que existe gentil-dona, está enganado: isto é um título nobiliárquico, algo que se diz que uma mulher é tão fina que só pode ser nobre, nada mais que um rótulo da nobreza política.
Sabe por que não existe? Por serem, naturalmente, pessoas dóceis.
Bem, pelo menos em essência. E se conhecemos mulheres que não valham muito neste conceito - relhes, vis, baixas, perdidas... - perdão, a culpa não é minha.
16 junho 2010
A vida
Ontem nasceu Mariana, com 47cm e 2.790 g de peso. Uma princesinha miúda.
No princípio era o velho Mau, sem par.
Veio a Mar, olhos de mar; um alvo luar.
Nova Mar, conjugação do primeiro Mar,
'caba de chegar: -Limpa a casa! -Iluminar!
-Lavar! -Passar! -Esfregar! - Personalidade
- avisem todos! - já 'tá na cidade!
Chegam jovens e gente de qualquer idade:
Bilu-tetéia... Cuidado! A claridade!
Ri Mar, em prosa; em verso! Na felicidade
exclamação é obrigatoriedade.
Mãegestante? Agora? É Mãejestade!
No princípio era o velho Mau, sem par.
Veio a Mar, olhos de mar; um alvo luar.
Nova Mar, conjugação do primeiro Mar,
'caba de chegar: -Limpa a casa! -Iluminar!
-Lavar! -Passar! -Esfregar! - Personalidade
- avisem todos! - já 'tá na cidade!
Chegam jovens e gente de qualquer idade:
Bilu-tetéia... Cuidado! A claridade!
Ri Mar, em prosa; em verso! Na felicidade
exclamação é obrigatoriedade.
Mãegestante? Agora? É Mãejestade!
08 junho 2010
27 maio 2010
26 maio 2010
22 maio 2010
14 maio 2010
16 abril 2010
Se não fosse em língua espanhola, poderia ser no Brasil...
Trata-se, provavelmente, de uma peça de teatro, de televisão, mas é muito parecido com a realidade.
05 março 2010
Deus olha por todos
Deus ajuda os pobres, enquanto o estado dorme.
Dorme, sem querer. Mas, tem sono leve e, quando descobre que o pobre está levando alguma vantagem, lança uma portaria, um decreto, uma lei, cria uma taxação, para tornar nula a vantagem conseguida.
E parece que o poder público agora descobriu que Deus forneceu água cristalina aos mais pobres, na calada da noite.
E, descoberto, já acionou a Feema, a secretária de meio-ambiente, possivelmente e muito mais rapidamente a da fazenda, lançará alguma cerca de arame farpado em volta do benefício.
O estado acha imoral toda a vantagem do cidadão. Imoralidades permitidas, somente a que ele faz; e, neste estado de coisas que vemos diariamente nos três poderes da república, quanto mais, mais ele fica querendo mais, legitimado nesta ânsia´apenas pela sua própria existência.
Ao estado basta existir. Tem leis próprias e maleáveis a sua necessidade.
Fiquei muito feliz de ler sobre a água do Alemão: foi a hora que Deus deu uma rasteira nos coletores de impostos.
Dorme, sem querer. Mas, tem sono leve e, quando descobre que o pobre está levando alguma vantagem, lança uma portaria, um decreto, uma lei, cria uma taxação, para tornar nula a vantagem conseguida.
E parece que o poder público agora descobriu que Deus forneceu água cristalina aos mais pobres, na calada da noite.
E, descoberto, já acionou a Feema, a secretária de meio-ambiente, possivelmente e muito mais rapidamente a da fazenda, lançará alguma cerca de arame farpado em volta do benefício.
O estado acha imoral toda a vantagem do cidadão. Imoralidades permitidas, somente a que ele faz; e, neste estado de coisas que vemos diariamente nos três poderes da república, quanto mais, mais ele fica querendo mais, legitimado nesta ânsia´apenas pela sua própria existência.
Ao estado basta existir. Tem leis próprias e maleáveis a sua necessidade.
Fiquei muito feliz de ler sobre a água do Alemão: foi a hora que Deus deu uma rasteira nos coletores de impostos.
19 fevereiro 2010
O avesso do avesso do avesso...
A Polícia Federal, segundo li, pediu a sala em que José Roberto Arruda estava preso. Transferiu-o para uma menor.
O advogado do ainda-governador saiu em sua defesa, queixando-se da decadente condição habitacional de seu cliente, que seu cargo merecia coisa melhor.
Que nós já não estranhamos mais as declarações de quem dá entrevista neste país, das pessoas que compõem o estado, isto é verdade.
A frase do advogado é emblemática, quando troca o valor moral das coisas e, frontalmente contra a razão, inverte tudo.
E o estranhamento adicional é que vem da boca de um profissional que, por dever, defende o Direito.
Possivelmente, não faz por mal, mas por descuido, de tão acostumado às práticas consideradas - lá por eles mesmos - normais e lícitas. São os costumes, o 'ethos' de uma pequena parte dos que têm algum poder.
Candidamente, cita o cargo do preso como um símbolo de majestade em si mesmo, como se a pessoa que o usa estivesse ungida com os santos óleos da divinização, sob a qual não há pecados que a manchem.
Sendo uma autoridade, com este título, não há como enxergar-se um malfeitor, mesmo que o titulado venha a posicionar-se no extremo oposto da moralidade e da lei.
A gente já os conhece, mas tem ainda a esperança de estar sob engano.
O advogado do ainda-governador saiu em sua defesa, queixando-se da decadente condição habitacional de seu cliente, que seu cargo merecia coisa melhor.
Que nós já não estranhamos mais as declarações de quem dá entrevista neste país, das pessoas que compõem o estado, isto é verdade.
A frase do advogado é emblemática, quando troca o valor moral das coisas e, frontalmente contra a razão, inverte tudo.
E o estranhamento adicional é que vem da boca de um profissional que, por dever, defende o Direito.
Possivelmente, não faz por mal, mas por descuido, de tão acostumado às práticas consideradas - lá por eles mesmos - normais e lícitas. São os costumes, o 'ethos' de uma pequena parte dos que têm algum poder.
Candidamente, cita o cargo do preso como um símbolo de majestade em si mesmo, como se a pessoa que o usa estivesse ungida com os santos óleos da divinização, sob a qual não há pecados que a manchem.
Sendo uma autoridade, com este título, não há como enxergar-se um malfeitor, mesmo que o titulado venha a posicionar-se no extremo oposto da moralidade e da lei.
A gente já os conhece, mas tem ainda a esperança de estar sob engano.
07 fevereiro 2010
Santo de casa
Muitas pessoas que têm o dom artístico, ou que desenvolvam qualquer atividade que teria um potencial de destaque, queixam-se de que os estranhos ao sangue prestam atenção - com opinião a favor ou contra, mas prestam - em suas obras, mas que seus próprios familiares não.
É bem verdade, tanto que há o ditado do título acima.
Mas, podemos ir mais longe e encontrar o comportamento do próprio 'artista' agindo da mesma forma: as opiniões dos familiares não são sequer notadas, por serem justamente da família.
Queixa-se da indiferença de irmãos, primos, tios e sobrinhos, mas não nota seus elogios, quando deles recebe alguma referência sobre suas obras; não dá valor a ela.
Vá se entender o ser humano.
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